2008-10-17

A Arte. O Estilo Barroco.

A arte



Chama-se arte a todas as criações materiais do homem que têm por objectivo transformar o mundo e a vida em espaços e momentos mais belos. Criar beleza, fazer objectos ou expressar-se através desses objectos é uma actividade exclusivamente humana. Pode até dizer-se que é uma das que distingue o homem dos outros animais. O Estilo Barroco



D. João V, e como ele outros monarcas, mandou construir palácios, igrejas e conventos ao mesmo tempo que convertia a sua corte e as suas embaixadas em sinónimos de grandeza.
É que a arte engrandece quem a patrocina, quem a paga.
É por isso que as construções e criações artísticas deste período - século XVIII - têm características especiais. Ao conjunto dessas características chamou-se Estilo Barroco.
Quais são, então, essas características que nos permitem distinguir o estilo barroco de qualquer outro?



Se observares com atenção o Convento de Mafra, mandado construir por D. João V, podes verificar que é muito grande. Não só é grande com parece ainda maior. Se pensares que, quando foi construido não havia nada ali à volta, parecer-te-à ainda mais monumental e grandioso.
E no interior? como será?
Como podes ver, no interior, está tudo revestido a mármore de várias cores que, no chão, compõem maravilhosos desenhos. Um conjunto fabuloso de esculturas de grandes dimensões, mandadas fazer em Itália por artistas muito conceituados na época, percorrem as naves laterais ( dos lados ) da Igreja.


Na Universidade de Coimbra mandou construir uma biblioteca. E também ela é grandiosa e luxuosa. Construida com madeiras exóticas trazidas de todos os continentes onde Portugal possuia colónias.

Repara em todo aquele dourado. É talha dourada, madeira esculpida e depois dourada. Observa as formas curvas que acompanham a porta e nas colunas torsas - torcidas.
A talha dourada tornou-se na principal forma de revestir os altares das igrejas.

A Igreja de S. Francisco é um exemplo disso. Mas não foram só as igrejas. Lembras-te dos coches de D. João V? Pois é, talha dourada cheia de curvas e contracurvas por todos os lados.


E acontecia o mesmo nas baixelas e no mobiliário.
E quem não tinha ouro como tinha o rei, para mandar fazer todas essas obras?
Construia palacetes e solares mais pequenos, semelhantes aos do rei. E, em vez de tanta talha dourada revestia os interiores a azulejo azul e branco.
Contavam histórias, aqueles azulejos: as das famílias ou cenas da História de Portugal e, especialmente nas igrejas, histórias da Biblia.

Agora que já percebes algumas das características do estilo barroco consegues identificá-las nesta imagem da Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo?


2008-10-07

Os métodos da Inquisição

Tal com já aprendeste o Auto-de-Fé era uma das cerimónias públicas mais aguardadas pelos lisboetas. Mas antes da execução dos condenados havia um processo e um julgamento nos quais eram usados meios de tortura para obter a verdade.
Os principais alvos do tribunal da inquisição eram os judeus - acusados da prática do judaísmo, a sua religião. Com medo de serem queimados na fogueira, renunciavam às suas crenças e tornavam-se cristãos. Chamavam-se Cristãos - Novos. Permaneciam sempre sob suspeita.


Qualquer pessoa os podia acusar de continuarem a praticar a sua antiga religião. Houvesse ou não provas, eram presos e torturados para se saber a verdade e poderem morrer como


verdadeiros cristãos, puros e sem pecados. Além dos judeus também se condenavam as práticas de bruxaria - já vês o que aconteceria ao Harry Potter nestes tempos de 1700. É até por isso que há uma frase que diz " a caça às bruxas".



Atravês da tortura, o inquisidor conseguia a confissão do réu e este era, depois julgado.


Ser condenado era o mais fácil. Daí, marcavam o dia e a hora da execução e apregoava-se pela cidade.


Organizava-se a procissão dos condenados e o Auto-de-Fé, assim chamado porque se pensava que o fogo purificava as almas, levando-as para Deus.


E o povo assistia ao espectáculo. Acreditavam mesmo que aqueles que morriam eram maus por não serem cristãos e que dessa forma se tornavam cristãos.


A corte e a sociedade no tempo de D.João V


Apesar do imposto do comércio dos produtos do Brasil - um quinto ou a quintalada - trazer muita riqueza ao reino, na verdade, este pouco ou nada se desenvolveu.
Como gastou o rei D. João V esse ouro?

Continuou a dar privilégios à nobreza e ao clero e organizava grandes festas e banquetes onde eram servidas as novidades da época: o café, o chocolate e o tabaco,seguidos de grandiosos bailes. Havia também sessões de poesia, iam ao teatro e à Ópera.

Na corte vivia-se copiando a corte francesa de Luís XIV, o rei - sol, no trajar e nos hábitos. A maior parte dos produtos eram mandados vir do estrangeiro, desde as cabeleiras postiças até à moda dos sapatos.


O rei mandou reformar os palácios já existentes - Palácio da Ribeira e Palácio de Belém e mandou construir outros: Palácio de Queluz e Palácio - Convento de Mafra.

Os espectáculos públicos tais como as touradas, as procissões e os autos-de-fé eram grandiosos e também consumiam muito ouro, mas nada se comparava com as riquíssimas embaixadas que D. João V enviou a outros países para ostentar a sua riqueza.
Mandou construir obras monumentais como o Aqueduto das Águas Livres, para servir Lisboa de água, os palácios acima citados e a Biblioteca da Universidade de Coimbra, também chamada Biblioteca Joanina.



Fig.1 - O Palácio/ Convento de Mafra numa gravura da época
Repara na grandiosidade da construção

Fig.2 - Interior da Igreja do Convento de Mafra
Os desenhos no chão são feitos em mármore de várias cores e as esculturas foram
encomendadas em Itália a artistas de renome.



Fig.3 - Interior do Palácio de Queluz
Dizem que D. João V quis reproduzir, em Queluz, uma cópia do Palácio de Versailles, de Luís XIV



Fig.4- Interior de um troço do aqueduto das Águas Livres ( Belas)
O Aqueduto foi a construção mais útil e necessária do seu reinado.
Recolhia a água na serra de Belas a cerca de 60 km de Lisboa que, graças a uma ligeira inclinação, corria até às bicas e chafarizes espalhados pela cidade.
Como podes verificar, era possível andar dentro do aqueduto para limpar a caleira.

Questão

Depois do que já aprendeste elabora um comentário sobre os aspectos que consideres positivos e os que aches negativos do reinado de D. João V. Não te esqueças de te situar na sua época.

2008-09-21

Império e Monarquia Absoluta no séc. XVIII



O Império Colonial Português no séc. XVIII


Fig. 1 - Os territórios portugueses no séc. XVI


Durante a União Ibérica ( 1589- 1640) em que Portugal esteve politicamente unido à Espanha, Holandeses, Franceses e Ingleses acabaram com o monopólio português do comércio com o Oriente.

Fig.2 - Os territórios portugueses no séc. XVIII




1- Identifica os territórios do império português no séc. XVIII:
a) em África
b) na Ásia
c) na América

2- Compara os dois mapas:
a) Identifica o território que mais aumentou entre o século XVI e o XVIII
b) Regista a tua conclusão.

O Brasil - Nova fonte de riqueza

" O principal produto da colonização era o açúcar. (...) na primeira década do séc. XVIII, havia 246 engenhos em Pernambuco, 146 na Baía, 136 no Rio de Janeiro, e a produção anual atingia perto de um milhão e trezentas mil arrobas* (...)
Nesse tempo, o produto mais importante, depois do açúcar, era o tabaco. Seguiam-se a mandioca e o algodão. As madeiras davam ocasião a um comércio de muito valor. (...) Florestas inteiras do Brasil foram empregadas em Lisboa, nos séc. XVII e XVIII, quer na construção de edifícios, quer no pesado mobiliário que se diz de D. João V.(...)"
António Sérgio,
Breve interpretação da História de Portugal ( adaptado)

*arroba - antiga medida de peso = 15 KG


Fig.3 - Captura de escravos

As várias fases da produção açucareira - plantação da cana, corte da cana e transporte para o engenho, moagem e cozedura do melaço - utilizavam muita mão-de-obra. Os senhores de engenhos compravam escravos africanos, já que na maioria das vezes os índios fugiam.
Os escravos eram transportados desde África em navios, acorrentados e amontoados uns sobre os outros e sem quaiquer condições sanitárias. No Brasil eram vendidos no mercado dos escravos.
Os senhores de engenho eram os proprietários dos canaviais e viviam na casa grande. De lá podiam ver a sanzala - onde viviam os escravos- e o engenho - o local onde se fabricava o açúcar.
Os padres Jesuítas foram os primeiros a levantar a voz contra os abusos e a brutalidade com que eram tratados os escravos e os índios. O Padre António Vieira considerava "a escravatura uma das maiores vergonhas da humanidade."


3-Organiza informação.Elabora um quadro onde conste:
a) local de origem dos escravos
b) condições de transporte
c) a sua função nos engenhos
d) local do engenho onde viviam